.Contas avançadas pelo Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais ao i, que revela ainda que 70% da área ardida na União Europeia este ano é portuguesa.
Desde o início do Verão já arderam 127 mil hectares na União Europeia, área que não chega a duas vezes a dimensão do Parque Nacional da Peneda-Gerês, para dar um exemplo de um dos locais mais afectados este ano em Portugal e onde o fogo lavra há mais de uma semana. Os números tornam-se negros quando se percebe que 70% destes 127 mil hectares afectados pelas chamas localizam-se em Portugal, como avançou ao i Jesús San-Miguel-Ayanz, do Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais (EFFIS). "A percentagem, comparando com outras áreas mapeadas na União Europeia, é muito elevada", disse ao i o porta-voz deste organismo europeu, que produz anualmente relatórios sobre o impacto dos incêndios florestais em parceria com as autoridades nacionais.
Segundo os números avançados pelo EFFIS, e ainda sem contabilizar os incêndios deste fim-de-semana - ontem à tarde o site da Associação Nacional de Protecção Civil (ANPC) dava conta de 687 fogos activos entre sábado e domingo - os hectares ardidos em Portugal rondarão já os 100 mil, ainda que só tenham sido mapeados 70 mil.
Só em prejuízos, e através de uma contabilidade "conservadora", garante ao i Jesús San-Miguel-Ayanz, os 70 mil hectares ardidos representam perdas de 210 milhões de euros. Segundo o EFFIS, que está a trabalhar num novo modelo para avaliar o impacto socioeconómico dos incêndios, "as contas actualmente são feitas a 3000 euros o hectare ardido". Desta forma, e se se tiver em conta os 100 mil hectares estimados pelo monitor europeu, a factura portuguesa já vai nos 300 milhões de euros. De qualquer forma, são valores muito superiores aos apresentados pela ANPC ao Presidente da República e ao primeiro-ministro no briefing operacional de sexta-feira passada. Segundo a Protecção Civil são 45 mil os hectares ardidos entre 1 de Janeiros e 11 de Agosto.
Uma diferença abissal justificada pelas técnicas de contagem do monitor europeu e pelo facto de as autoridades portuguesas só irem fazer uma nova actualização dos números esta terça-feira.
Os resultados do Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais assentam nas observações diárias de dois satélites, que detectam áreas ardidas com mais de 40 hectares. Os restantes fogos, com dimensão inferior a 40 hectares, são contabilizados por estimativa, o que faz com que o número em Portugal varie entre os 70 mil hectares ardidos detectados pelos satélites e os 100 mil hectares estimados de incêndios. Os números da EFFIS incluem também zonas agrícolas, excluídas das contas da Autoridade Florestal Nacional (AFN). Feitas estas contas, em 2010 Portugal vai falhar o tecto de 100 mil hectares ardidos por ano, previsto no plano de defesa da floresta. No ano passado arderam 87 mil, cinco vezes mais do que em 2008, número que ainda assim mostra grandes melhorias em relação à década de 90, em que a média anual superava os 148 mil hectares. Este ano, com o final de Agosto e o mês de Setembro pela frente, os indicadores deverão piorar.
Mão Criminosa Os números do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR revelam um aumento da mão criminosa, que representará um quarto das ocorrências. Entre Julho e a primeira semana de Agosto, avançou ao i o tenente-coronel José Grisante, director do SEPNA, foram elaborados duas vezes mais autos por suspeita de crime de incêndio do que em igual período de 2009. Só na primeira semana de Agosto, os 151 autos em 2009 comparam com 428 em 2010. Até 8 de Agosto foram ainda levantados 1530 autos de contra-ordenações ligadas a incêndios e identificados 21 suspeitos de actos criminosos.

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